Objetivos

Objetivos: Religião (espiritualidade) – História – Meio-ambiente

Valorizar a ação missionária dos mártires das missões jesuíticas junto aos guaranis na Província Jesuítica do Paraguai (essa província correspondia à região atual dos departamentos de Missões e Itapuá, no Paraguai; Províncias de Misiones e Corrientes na Argentina; e Rio Grande do Sul, no Brasil) destacando a figura do Padre Roque Gonzalez de Santa Cruz, nascido em Assunção, no Paraguai, filho de ilustre pai espanhol e de mãe com sangue guarani.

Roque Gonzalez, que era padre secular, ingressou na Companhia de Jesus em 1.609, ano da fundação de Santo Inácio Guazu (Paraguai), que foi o primeiro dos Trinta Povos das Missões. Em 1.611, o padre Roque Gonzalez foi destacado para trabalhar na missão de Santo Inácio. Chegando nessa redução, Roque Gonzalez a transferiu de local e deu início a maneira que deu certo na evangelização dos guaranis, mantendo-os afastado dos espanhóis e protegidos dos ataques dos bandeirantes paulistas. Na redução, além da segurança, Roque Gonzalez organizou a produção agrícola para garantir a alimentação e, principalmente, passou a defender a liberdade ao guarani, afirmando que pelo direito natural, divino e humano o guarani era um ser livre.

Em 1.615, Roque Gonzalez se dirigiu para a região do rio Paraná e fundou a redução de Nossa Senhora da Anunciação (atual cidade de Posadas, capital de Misiones). Essa redução não prosperou, e pouco tempo depois o padre atravessou o rio Paraná e na outra margem criou a redução de Nossa Senhora da Encarnação (atual cidade de Encarnación, capital de Itapuá, Paraguai). Depois de consolidada a redução de Encarnação, Roque Gonzalez recebeu autorização para evangelizar os guaranis do rio Uruguai. Em dezembro de 1.619 o grande missionário fundou a Redução de Nossa Senhora da Concepção (atual cidade de Concepción, departamento de Misiones–Argentina). Nessa redução o padre Roque trabalhou incansavelmente para consolidá-la e após 07 anos de intenso labor, em 1.626, o grande missionário cruzou para a margem esquerda do rio Uruguai para fundar a primeira redução do atual Rio Grande do Sul: São Nicolau do Piratini.

Roque Gonzalez de Santa Cruz foi o primeiro homem não aborígine que habitou em terras de nosso estado e fundou o primeiro povoado de população permanente em nossa terra (São Nicolau – a Primeira Querência do Rio Grande). No mesmo ano da fundação de São Nicolau, o padre Roque fez a primeira viagem naval pelo rio Uruguai até Buenos Aires. De Buenos Aires Roque Gonzalez trouxe a orientação de expandir as missões na parte oriental do Uruguai. Com o apoio de mais padres jesuítas, como Afonso Rodrigues e João de Castilhos, Roque Gonzalez fundou a Redução de Nossa Senhora da Candelária de Caaçapamini (no atual município de Rolador) em fevereiro de 1.627. No ano seguinte, em agosto, fundou a Redução de Nossa Senhora da Assunção do Ijuí (atual município de Roque Gonzalez) e em novembro a Redução de Todos os Santos do Caaró.

No Caaró, os padres Roque Gonzalez e Afonso Rodrigues foram martirizados no dia 15 de novembro de 1.628. No dia 17 do mesmo mês, o padre João de Castilhos foi morto na Redução de Assunção do Ijuí. Hoje os três mártires são Santos da Igreja Católica.

Valorizar e divulgar a história das Missões:

A Trilha dos Santos Mártires inicia no local em que os padres jesuítas ingressaram na nossa terra (Passo do Padre – Santo Isidro, São Nicolau) e deram inicio a evangelização do índio guarani com a organização das reduções que foram os primeiros povoados no futuro Rio Grande do Sul. Portanto, aqui nasceu a história de nosso estado, vinculada a coroa espanhola (somente 111 anos depois, em 1737, os portugueses fundaram a cidade de Rio Grande, marcando a presença portuguesa na parte meridional do Brasil).

Foi na região missioneira que nasceu a cultura gaúcha, como o chimarrão, herança legítima do guarani, a criação do gado, introduzida pelos jesuítas em 1634, e em conseqüência o churrasco, prato típico de nossa terra, o cavalo também foi trazido pelos padres da Companhia de Jesus e se tornou companheiro inseparável do gaúcho.

Antes de chegar ao seu final, no Caaró, a Trilha passa pelo sitio arqueológico de São Nicolau, depois na cidade de Pirapó, cruza o rio Ijui e entra nas terras do município de Roque Gonzales, passa pela cruz onde foi abandonado o corpo do mártir João de Castilhos e chega ao santuário de Assunção do Ijui. Dali segue para o Cerro do Inhacurutum, importantes na história da resistência aos padres que foi comandada pelo cacique Nheçu, o qual morava nessa área e não aceitou o novo modelo de vida e a nova religião trazida de além mar.

Foi Nheçu que liderou a ação dos guaranis que resultou na morte dos três padres jesuítas. Após a morte dos padres houve a reação dos índios já catequizados que empreenderam feroz combate aos índios de Nheçu, matando aproximadamente 200 índios liderados pelo demoníaco cacique. Nesses combates os índios fiéis aos padres receberam a ajuda do estancieiro de Corrientes, Manuel Cabral de Alpoim e derrotaram o cacique Nheçu, que acabou desaparecendo, sem que se saiba ao certo o fim que levou, se morto em combate, prisioneiro o se conseguiu fugir pelas águas do Uruguai, rio acima.

Depois de Roque Gonzales, a trilha passa ainda pelo próspero município de São Pedro do Butiá, onde se encontra o imponente Monumento Germânico Missioneiro e segue para o município de Rolador, passando pelo local onde existiu a Redução de Nossa Senhora da Candelária. Do município de Rolador, a trilha segue rumo à cidade de Caibaté em cuja praça central recentemente foi feito um monumento que homenageia os Santos Mártires das Missões e dali segue até o Santuário do Caaró.

Valorizar o meio ambiente:

A Trilha dos Santos Mártires valoriza o ambiente natural, sendo ela feita em estrada de chão batido e em alguns lugares em trilhas no meio de áreas de matas. Também se sobe no Cerro Inhacurutum, que é o ponto topográfico mais alto de toda a região missioneira. Em todas as paradas nas comunidades para refeições e pernoites, além de se falar na ação evangelizadora dos jesuítas e na história da região, são feitos comentários sobre a importância de valorizar a natureza como meta para melhorar a qualidade de vida da população.